Covid-19: Presidente da Câmara da Guarda considera que autorização para realização de Assembleia no Teatro Municipal da Guarda seria “irresponsabilidade”

“Não se trata aqui de nenhum ato de autoridade excessiva. Não se trata aqui de nenhum ato de violar a legalidade. Antes pelo contrário. Seria uma irresponsabilidade do presidente da Câmara Municipal da Guarda deixar que esta Assembleia se realizasse, com violação frontal, violação grosseira, daquilo que são as normas e princípios legais que regem todos os cidadãos do país e, principalmente, aqueles que têm um dever especial de cuidado, aqueles que têm um dever especial de responsabilidade de assegurar o cumprimento da lei”, justificou hoje Carlos Chaves Monteiro (PSD), em conferência de imprensa.

A reunião tinha sido marcada para as 14h00 de hoje, pela presidente Cidália Valbom (PSD), para proporcionar a realização de um debate temático sobre “Perspetivar o futuro” após a pandemia causada pela covid-19.

Na sexta-feira, o presidente da Câmara emitiu um comunicado, através do qual referia que não autorizava a utilização do Teatro Municipal da Guarda (TMG), “ou de outro equipamento público”, para a realização da Assembleia Municipal Extraordinária, ou de outras, “de forma presencial”, enquanto durar o estado de calamidade decretado pelo Governo.

Hoje, em conferência de imprensa, o autarca explicou que a sessão contaria com a participação de cerca de 100 pessoas e que a sua decisão foi tomada com base em pareceres da Diretora Regional da Saúde Pública e da Direção-Geral da Saúde.

“Se eu, efetivamente, como presidente de Câmara, com a responsabilidade que tenho, se permitisse esta inconsciência de realização de uma Assembleia que não tem nada de extraordinário, que não tem nada de urgente, que não preenche os pressupostos que a lei prevê para uma Assembleia Extraordinária e em violação clara, como disse, da lei, eu estaria, de facto, a prestar um mau serviço aos guardenses e estaria também a violar exatamente aquilo que é a responsabilidade de um autarca, a responsabilidade de uma autoridade de proteção civil que nos está incumbida em resultado das normas legais”, afirmou.

Perante tal circunstância, o autarca optou por não autorizar a realização da sessão e deseja que outras situações da mesma natureza “sejam evitadas no futuro”.

O responsável deixou ainda claro que a sessão que estava agendada “era mais uma conferência, um debate”, do que “uma Assembleia Municipal com caráter extraordinário”.

“Não podemos concordar que o senhor presidente da Câmara queira equiparar uma reunião do órgão deliberativo autárquico a um evento social”, reagiu em comunicado, no sábado, a presidente da Assembleia Municipal.

Cidália Valbom explicou que fez vários contactos sobre a realização da reunião no TMG e recebeu das entidades de saúde “todas as orientações e recomendações necessárias” para a sua concretização em “condições de segurança”.

“O debate destas matérias, que considero importantes para a sociedade, não se fará agora por uma decisão autoritária, injusta, prepotente, imoral e ilegal, mas fá-lo-emos brevemente”, concluiu.

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